Pensador
corner



HOME

ARQUIVO

HOMEPAGE

FOTOLOG

ORKUT

 

 

Sexta-feira, Julho 30, 2004


Genética do Alcoolismo


Após a descoberta, em 1990, do controverso "gene do alcoolismo" (gene DRD2) os pesquisadores mudam o enfoque de suas pesquisas e passam a buscar explicações genéticas para os efeitos do álcool.

Recentemente, o neurobiólogo Steven McIntire (Universidade da Califórnia em São Francisco) descreveu, no verme Caenorhabditis elegans, um único gene (slo-1) que parece explicar o mecanismo da intoxicação por álcool. O gene slo-1 codifica proteínas formadoras de canais iônicos. Estes canais controlam o fluxo de íons potássio, atuando sobre sinalização entre neurônios. Os pesquisadores observaram que o álcool faz com que o canal se abra com maior freqüência, desacelerando a atividade neural.

Contudo, o neurocientísta Evan Balaban (Universidade McGill), que trabalha com diferenças comportamentais inatas em animais, alerta contra o uso de mecanismos fisiológicos como explicação para uma síndrome complexa, como é o caso do alcoolismo. Segundo ele, aspectos sociais, de desenvolvimento e pessoais contribuem para nossa necessidade de usar uma substância e para definir se o álcool se tornará a substância preferida.

Ainda assim, uma maior compreensão do mecanismo de intoxicação seria de grande valia no desenvolvimento de um agente farmacológico que reduzisse seus efeitos. Uma espécie de pílula da sobriedade instantânea.

Fonte de consulta: Lehrman, S. (2004) Foco sóbrio. Scientific American Brasil, ano 3, número 26.





Apartes:

Domingo, Julho 18, 2004


Maconha Endógena


Aparentemente, nossos neurônios possuem regiões específicas que interagem com o princípio ativo da maconha.

Estes receptores para THC podem ser encontrados em diversas regiões do cérebro e têm como função receber os princípios ativos similares aos da planta, permitindo que exerça influência sobre o sistema nervoso. No entanto, com base no princípio da evolução, é difícil imaginar que estas estruturas tenham surgido apenas para interagirem com substâncias provenientes de uma determinada planta. Seria mais provável que substâncias endógenas ao próprio cérebro, similares ao THC, fossem o alvo principal destes receptores.

Isto realmente parece ser verdade. O cérebro humano é capaz de produzir uma substância que age sobre estas regiões específicas a THC. Esta "maconha endógena" foi batizada de anandamina.

A anandamina, assim como a maconha, age sobre o sistema canabinóide do cérebro, modulando seu funcionamento. Além de ser responsável por algumas doenças mentais conhecidas, este sistema também parece estar relacionado com os processos de memória e aprendizado.

Em um experimento realizado comparando camundongos sem receptores para THC e camundongos com receptores para THC, mostrou-se que os camundongos que tinham os sítios específicos para a maconha aprendiam mais rapidamente a tarefa.

A descoberta de receptores para THC em neurônios humanos tem ajudado a modificar a imagem da maconha. O THC parece apresentar propriedades terapêuticas importantes, e, em muitos países, cigarros de maconha já estão sendo prescritos como medicamento. Mesmo assim, sempre é bom salientar que o uso da maconha para "divertimento" continua não sendo aconselhável do ponto de vista da saúde.

Fonte de consulta: Carlini, E. (2004) Riscos e promessas da Cannabis. Scientific American Brasil, ano 3, número 26.





Apartes:

Terça-feira, Julho 13, 2004


Cores Vivas na Antigüidade


Arqueólogos e historiadores estão descobrindo que a verdadeira arte dos gregos e romanos era espetacularmente colorida.

Praxíteles (período criativo por volta de 370-320 a.C.) disse que as suas obras em mármore prediletas eram aquelas nas quais Nikias (pintor da segunda metade do século 4° a.C.) tinha posto as mãos.

Na obra Helena, de Eurípedes (485-406 a.C.), o seguinte trecho pode ser encontrado: "Ao céu prouvesse que estes meus traços se apagassem, como as cores da pintura, e que a beleza cedesse, em meu semblante, à fealdade!". Ou seja, somente a pintura de uma escultura preenche o ideal de beleza plena, do qual Helena era a mais alta representação na Antigüidade.

Inúmeros relatos, versando sobre a importância de pintores famosos da Antiguidade, foram ignorados e mal interpretados durante o Classicismo. Para estes admiradores da arte grega, a visão de uma Antigüidade colorida seria simplesmente grotesca. Os estetas do Classicismo separavam rigidamente a pintura e a escultura. Esta última definindo-se unicamente pela forma.

A partir do século 19, traços de cor em esculturas de frontões, bem como em elementos arquitetônicos, foram descobertos e documentados. A partir daí, surgiu uma discussão científica sobre a policromia antiga que durou até a Segunda Guerra Mundial.

Mais recentemente, a policromia voltou a ganhar força como tema de pesquisa. Uma técnica desenvolvida pelo arqueólogo Vinzenz Brinkmann (Gliptoteca de Munique) é capaz de reconstruir as cores antigas com base nas saliências de decomposição. Aparentemente, cada cor teria diferentes propriedades de preservação, protegendo a pedra contra influências do ambiente.

Estou curioso para saber que inovações estas descobertas trarão à indústria do cinema.

Fonte de consulta: Siebler, M. (2004) Cores vivas na Antigüidade. Scientific American Brasil, ano 3, número 26.


Figuras de garotas que ornavam a Acrópole de Atenas. Na direita a estátua real e na esquerda uma reconstituição com cores.





Apartes:



This page is powered by Blogger.