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Sábado, Fevereiro 07, 2004


A Importância das Unhas


Segundo Georges Achten, a unha seria um "semipêlo ignorado". Sua composição é similar à dos pêlos e cabelos, contudo, enquanto o cabelo sofre os efeitos de um ciclo evolutivo (crescem, caem e perdem a cor), a unha está submetida a um monótono crescimento. As unhas desempenham diversas funções. Além de prover proteção contra os choques e o frio, as unhas servem como ferramentas, arranhando, agarrando, beliscando e conferindo sensibilidade tátil. Na falta de uma unha, diz-se que o dedo está cego, pois parte das informações táteis estão ausentes.

Aparentemente, desde do Egito antigo (2400 a.C.) as unhas têm sido objeto de grande atenção. Poderes mágicos sempre foram atribuídos às unhas. Segundo tradições antigas, estas poderiam curar de males do estômago até convulsões e febre. Parteiras da Itália e França afiavam a unha de um dos dedos polegares e a usavam para cortar o cordão umbilical dos recém-nascidos.

Segundo o médico francês Xavier Bichat (1771-1802), a unha representaria os limites de separação entre a vida e morte, a civilização e a selvageria, o animal e o humano. Sendo assim, Bichat conclui: "unha polida e cuidada, marca de decoro; unha em forma de garra, marca de animalidade". No entanto, opondo-se a este tipo de pensamento, algumas civilizações viam na utilização de unhas longas um sinal de elevada distinção, simbolizando o esplendor da ociosidade e preguiça. O detentor do recorde mundial de unhas mais longas cabe a um indiano. Após "cultivar" suas unhas por 48 anos, estas atingiram um comprimento total, para as cinco unhas da mão, de 6,15 metros.

As unhas também nos informam sobre o estado de saúde do corpo. Manchas brancas estão vinculadas a uma carência de zinco. Manchas amarelas são freqüentes em pessoas que fumam muito ou que se submeteram a um longo tratamento antibiótico. Manchas negras podem indicar disfunções hormonais. Unhas convexas e sem brilho podem sinalizar a presença de doença cardíaca ou pulmonar grave.

A análise dos vestígios de sangue ou terra, dos arranhões, e análises toxicológicas têm beneficiado bastante a medicina legal. Recentemente, pesquisadores britânicos desenvolveram uma técnica, baseada na análise das extremidades livres das unhas, capaz de detectar a utilização de substâncias ilícitas (e.g. doping esportivo, heroína, canabis) por um período de até um ano após seu emprego.

Portanto, cuidem bem de suas unhas!! Elas podem indicar mais a respeito da sua personalidade do você imagina.

Fonte de consulta: Baran, R. (2003) Mitos e sinais das unhas. Scientific American Brasil, ano 2, número 17.

Nota do pensador: Caros amigos, semana que vem terei que me ausentar de Brasília. Estarei prestando um concurso público para professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba. Torçam por mim, pois, caso eu seja aprovado, vocês terão uma excelente base avançada para passar férias. Ficarei sem muito acesso à internet neste período. Contudo, em março estarei de volta, postando novas viagens e elucubrações mentais. Gostaria de agradecer todos os comentários. Este mergulho no universo blogístico tem sido bastante recompensador para mim.





Apartes:

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004


O Sorriso das Máquinas


Numa entrevista realizada com Donald A. Norman, um implacável defensor do design utilitário, ele defende que as máquinas do futuro deverão ter emoções para serem verdadeiramente confiáveis. Norman argumenta que as máquinas não só devem provocar reações emocionais em seus usuários, mas também, de alguma forma, ter emoções próprias. "Não estou dizendo que devemos copiar emoções humanas... mas as máquinas devem ter emoções, pela mesma razão por que as pessoas têm: para mantê-las em segurança, torná-las curiosas e ajudá-las a aprender", esclarece o entrevistado. Ele cita um exemplo: "quero que meu aspirador automático de pó tenha medo de alturas para que não caia da escada".

Eu particularmente não acredito na inteligência artificial. Sou adepto da idéia de que um sistema complexo nunca terá complexidade suficiente para compreender a si mesmo. Isto serve tanto para as máquinas quanto para o nosso cérebro. Não creio que algum dia entenderemos perfeitamente o funcionamento da mente humana e, embutido nisso, das nossas emoções.

No entanto, a visão de Norman, apesar de fantasiosa, pode nos trazer muitos benefícios no campo da interação máquina-usuário. As máquinas poderiam exibir emoções pré-definidas ou pré-programadas. Imaginem podermos, por exemplo, retratar nosso computador pessoal com uma face de nossa escolha. Poderíamos, talvez, atribuir-lhe certos traços de personalidade. Além de trabalharmos na melhoria do carisma das máquinas, poderíamos também programá-las de forma que elas nos indicassem uma série de informações de maneira subjetiva, o que seria mais intuitivo para as pessoas. Nesta linha de raciocínio poderíamos imaginar que um computador pessoal infectado por vírus, ou sofrendo de sobrecarga de informação, se mostraria com uma aparência de doente. Uma geladeira cheia sempre exibiria um rosto de satisfação ao invés de uma cara de fome. Um videocassete ficaria "triste" caso o seu usuário não o utilizasse por um longo período de tempo.

Enfim, estas mudanças conceituais poderiam diminuir a resistência que muitos indivíduos apresentam à tecnologia de forma geral, aumentando a aceitação e facilitando o uso das máquinas pela sociedade humana.





Apartes:

Terça-feira, Fevereiro 03, 2004


Pílulas da Inteligência


É possível que dentro em breve uma enxurrada de drogas revolucionárias invadam o mercado, marcando o início da era das drogas mnemônicas. Diversos institutos de pesquisa estão investindo pesado no desenvolvimento de substâncias capazes de aumentar a atenção e facilitar a aprendizagem. Na verdade, não é de hoje que o ser humano lança mão de estimuladores cognitivos. Talvez tudo tenha começado com o tão famoso e tradicional "cafezinho". Com a popularização das anfetaminas, há cerca de 50 anos atrás, a prática obteve uma aura mais farmacológica. Testes preliminares têm mostrado resultados promissores. Camundongos que ingeriram a pílula da inteligência precisaram de cinco vezes menos tempo para memorizar uma determinada tarefa, quando comparados a camundongos normais. Contudo, apesar de todo o frisson que tem cercado a mídia quanto à chegada do "Viagra para o cérebro", só deveremos ter acesso à novidade na próxima década.

Discussões éticas têm surgido. Segundo o filósofo Leon R. Kaas, chefe do Conselho de Bioética, "Nestas áreas da vida humana, onde a excelência tem sido obtida pela disciplina e esforço, a conquista de resultados com uso de drogas, engenharia genética ou implantes parece ardilosa". Afinal de contas, não seria isto comparável ao doping esportivo? É possível que, no futuro, nossos filhos e netos tenham que se submeter à teste antidoping antes de realizarem concursos ou vestibulares.

Outro temor dos especialistas é de que estas drogas, a exemplo do Viagra, se tornem drogas da moda. O Ritalin talvez seja um exemplo clássico disto. Originalmente receitado para crianças com transtornos de hiperatividade com déficit de atenção, o Ritalin passou a ser amplamente utilizado por pessoas saudáveis, em sua grande maioria estudantes do ensino médio e universitário que buscavam melhorias de suas funções cognitivas.

Segundo Tim Tully, neurocientista e um dos principais protagonistas na corrida pelo desenvolvimento de drogas mnemônicas, "O uso de drogas sem autorização aconteceu com o Viagra e não parou com o Viagra, não parou com o Ritalin e não parou com as anfetaminas. O fato é que a prescrição de drogas sem autorização é perigosa por causa dos efeitos colaterais não previstos. Você pode desenvolver problemas psicológicos desconhecidos. Realmente, nem vale a pena falar disso, a menos que seja como ficção científica. Precisamos esperar até aplicar essas drogas nas pessoas e ver o que acontece". Alguém se habilita?





Apartes:

Domingo, Fevereiro 01, 2004


Scanners neurais


"Máquinas para escanear o cérebro poderão, em breve, distinguir pensamentos elementares e separar fatos reais de ficção".

Esta é a chamada da reportagem "Leitores da mente" da edição de outubro de 2003 da Revista Scientific American Brasil. Segundo a reportagem, através da utilização de fMRI (ressonância nuclear magnética funcional) em combinação com EEG (eletroencefalografia) torna-se possível a varredura de pensamentos simples do cérebro. Com a tecnologia atual já se pode destingir entre cérebros que estão lendo sentenças claras de cérebros que estão lendo sentenças ambíguas. Ou pode-se determinar, com 80% a 90% de exatidão, qual conceito simples (e.g. ferramentas de carpintaria ou espécies de moradia), de um total de 12 opções, está sendo mentalizado.

Com a colaboração da mente escaneada pode-se ir mais além. Macacos foram treinados a controlar, com base em sua atividade mental, braços mecânicos de um robô. Pacientes paralisados por lesões nos nervos foram ensinados a variar suas ondas cerebrais de forma a conseguir escrever sentenças numa tela de computador.

Com base no padrão de atividade de um cérebro é possível se determinar se este está dizendo a verdade ou mentindo. Aparentemente, as mesmas áreas ativadas no momento da verdade são ativadas durante o ato da mentira. No entanto, para se concretizar o processo de mentira áreas adicionais, responsáveis por esconder a verdade e criar a mentira, são recrutadas. Esta tecnologia pode produzir grandes avanços no campo da criminalística. O velho e antiquado polígrafo há muito tempo utilizado como detector de mentiras, nunca satisfez às expectativas. Agora, com esta nova tecnologia, capaz de julgar a honestidade do indivíduo, surge uma nova e poderosa força de intimidação social. Cabe à humanidade utiliza-la com sabedoria.





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